histórico
O OCEANO, constituinte maior do nosso planeta Terra, origem da vida, fonte de recursos vivos, minerais e de energia, no princípio dos tempos era encarado como o grande e temeroso desconhecido. A curiosidade do homem, aliada à sua necessidade de enfrentar desafios e à necessidade de busca de recursos alimentares e do comércio entre os povos, fez surgir a necessidade de conhecer e entender este desconhecido.
A OCEANOGRAFIA é a ciência que surge a partir da necessidade humana de derrubar fronteiras e explorar o imenso potencial de riquezas do oceano.
OS Primeiros estudos do oceano relacionaram-se com problemas do comércio, que exigia informações sobre marés, correntes e distâncias entre os portos.
Benjamin Franklin, quando era diretor dos correios, preparou tabelas de temperatura para que os navegadores pudessem verificar se estavam ou não na Corrente do Golfo. Isto resultou em um serviço de correios mais rápido para a Europa.
Em 1820, o francês Alcide Dessalines D’ Orbigny estudava a fauna marinha, especialmente os microorganismos foraminíferos. D’ Orbigny esteve por oito anos na América do Sul, identificando entre os organismos marinhos, os moluscos.
Charles Darwin, pesquisador inglês, em expedição no navio HMS Beagle, de 1831 a 1836, em levantamento sobre biologia, geologia e antropologia, listou e identificou entre outros organismos os iguanas marinhos do Arquipélago de Galápagos.
Início da Oceanografia moderna: dezembro de 1872, quando no veleiro de 2.300 ton. H M S. Challenger foi instalada a primeira expedição oceanográfica, deixando a Inglaterra para percorrer num cruzeiro de 3 anos, 100 mil km, em todos os oceanos. Foi a primeira expedição oceanográfica visando puramente ao fundo do mar. Análises de água do mar colhidas nesta expedição provaram pela primeira vez que os vários sais constituintes da água do mar são praticamente os mesmos, em toda a parte (Princípio de Dittmar). Os resultados da expedição estão contidos num informe oficial de 50 volumes.
Antes da expedição Challenger, o tenente Mattew Fontaine Maury, da Marinha dos Estados Unidos, analisava os livros de bordo dos navios para determinar as rotas mais favoráveis. Ele muito contribuiu par estimular a cooperação internacional em Oceanografia e Meteorologia Marinha. Em 1853, organizou a primeira conferência Internacional de Meteorologia em Bruxelas (Bélgica) para estabelecer uma uniformização dos métodos náuticos e observações meteorológicas no mar. Em 1855, ele sumarizou seus dados em The Physical Geography of the sea. Por esta iniciativa Maury é freqüentemente referido como o pai da Oceanografia. O atual U. S. Naval Oceanographic Office é um resultado de seus esforços.
Petersen, pesquisador dinamarquês, em 1918, realizou o primeiro trabalho quantitativo na área da Oceanografia Biológica. Devido a uma crise na indústria pesqueira teve que quantificar a quantidade de alimento disponível para os peixes. Este alimento era constituído de organismos bentônicos. Para tal desenvolveu equipamento para amostragem quantitativa.
A Oceanografia foi se desenvolvendo e se aprimorando através das necessidades de conhecimento e de exploração de recursos, pela pesquisa e criatividade de seus investigadores .
A Faculdade de Oceanografia da UERJ é uma das instituições pioneiras no país neste campo, tendo recebido sua primeira turma em 1977. Durante muitos anos ela sofreu todos os problemas derivados do fato de ter sido criada originalmente como um Departamento. A sua independência administrativa foi alcançada na Universidade ao final do ano de 2007. Neste mesmo ano, foi reconhecido pela CAPES o Programa de Pós-Graduação em Oceanografia (PPG-OCN), que oferecerá a partir do primeiro semestre de 2008 o curso de Mestrado em Oceanografia. Não seria um exagero dizer que o ano de 2007 foi o mais importante da história para a nossa escola, que completou seus 30 anos de existência atingindo sua maturidade acadêmica.
Na ausência de uma avaliação formal pelo MEC, podemos mostrar alguns indicadores da qualidade do ensino ministrado nesta instituição. Seu corpo docente de 20 professores sendo 2 visitantes tem 90% de doutores. Nos últimos anos, a relação candidato-vaga variou entre 4,35 (2004) e 14,3 (2005), com média próxima de 10. Considerando os dados da Plataforma Lattes do CNPq, tínhamos ao final de janeiro de 2008 o seguinte quadro: Publicações (artigos em periódicos, capítulos de livros, trabalhos completos em Anais): 371 trabalhos publicados ou aceitos para publicação. Resumos em Congresso (Estendidos e simples): 725. Teses de Mestrado e Doutorado defendidas ou em andamento, com os nossos professores atuando como orientadores credenciados em outras instituições ou como co-orientadores: 45. Trabalhos de graduação e iniciação científica desenvolvidos na instituição: 395. No corpo docente da Faculdade, um terço dos professores efetivos são Procientistas e quatro docentes da FAOC também atuam no PPG-MA, o revolucionário programa de pós-graduação multidisciplinar coletivo da UERJ em Meio Ambiente.
Ao longo destes anos, o curso sempre tentou manter o equilíbrio entre as disciplinas e o corpo docente nas diversas áreas do conhecimento oceanográfico. Esta tentativa de integração sempre foi um diferencial em relação a diversas outras escolas de pensamento, que optaram por eleger alguns pontos de concentração. Este nosso ponto de vista está sendo mantido no PPG-OCN.
Pode-se avaliar mais do que em números ou estatísticas, o sucesso de uma escola, pelo sucesso de seus alunos. Também por este aspecto temos sido bem sucedidos. Nossos alunos têm sempre encontrado espaços para sua atuação, seja no meio acadêmico, seja no meio corporativo ou junto aos órgãos governamentais.